O corpo humano é máquina programada para o movimento. Ao contrário das outras que se desgastam com o uso, ele melhora sua performance quando adequadamente estimulado pela atividade física. O interessante é que esse conceito nem sempre foi aplicado à vida das pessoas. Aceitava-se que as crianças fossem agitadas e irrequietas, mas raramente se pensava num programa de exercícios sistemático e adequado para a fase de vida que atravessavam. Durante a juventude, o panorama mudava um pouco. Na maioria dos casos, porém, as pessoas deixavam de exercitar-se quando assumiam as responsabilidades da vida profissional e do casamento. Quanto aos mais velhos, nem se fala. A medicina adotava para indivíduos acima dos 50 anos uma conduta de repouso para não sobrecarregar o coração. Nas últimas décadas, porém, houve uma mudança radical nesse paradigma. A atividade física passou a ser aconselhada para todas as idades como caminho para a saúde, bem-estar e longevidade. Entretanto, precisamos estar atentos aos aspectos relacionados com o mau uso do corpo humano durante a atividade física. Ele possui um determinado design, uma certa arquitetura que devem ser respeitados. Caso contrário, mais cedo ou mais tarde, aparecerão lesões que irão prejudicar seu funcionamento.

Dr. Gilberto Camanho é médico ortopedista. Especialista em Medicina Esportiva, trabalha no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.